-O QUE É A FÉ?

-O QUE É A FÉ?

Que é a fé? — pessoas me perguntam.

 

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam e a firme convicção de fatos que se não vêem” — é o que define o livro de Hebreus.

 

Entretanto, parece que tal definição não cobre o todo da fé para alguns. Isso porque aparentemente falta à definição o sentido da fé como concordância com a doutrina e como perseverança na tribulação. Para outros, os que crêem que fé é também dúvida, a definição de Hebreus jamais é citada, posto que lhes pareça ser excessivamente simples ou simplista.

 

A fé, porém, é certeza de esperanças e certeza da existência do que não é apreendido pelos sentidos imediatos, seja para perseverar, seja para andar contra tudo... sem perder a esperança jamais.

 

O homem de fé pode duvidar, como não raro acontece. Mas é o homem quem duvida, não é a fé que carrega a duvida.

 

Jesus disse que existe muita fé e pouca fé!

 

Nunca vi fé como esta” — disse Ele acerca do Centurião Romano.

 

Por que duvidaste, homem de pouca fé?” — indaga Ele a Pedro.

 

A pouca fé é a fé emocional e momentânea, é a fé que vai porque está acontecendo... Mas quando as “ondas” aparecem, então, com a aparição vai a fé...

 

Já a muita fé é aquela que não duvida uma vez que tenha visto em Quem crê, à semelhança do Centurião, que não precisava de nada mais próximo ou tátil, pois, cria que Jesus era o que Havia [Há]... acima de tudo e todos.

 

O pai da fé é Abraão.

 

Ora, por que Abraão é o pai da fé se não porque ele creu no amor de Deus e na vontade bondosa de Deus apesar de tudo?

 

Paulo diz que Abraão é o pai da fé por ter crido, na prática, na Ressurreição antes de ela acontecer. E assim levou seu filho para ser imolado, crendo que Deus era poderoso para reavê-lo dentre os mortos.

 

A fé não é, todavia, fé em si mesma, não é fé na fé.

 

Fé na fé é crença, não é fé.

 

Fé na fé é mágica, mas não é fé.

 

A fé não é em si mesma, mas se projeta para além de si.

 

A fé na fé vai bem enquanto o que nos cerca é contornável, mas quando deixa de ser, então, tal fé não suporta o embate com a realidade.

 

Em Jesus, no Seu ensino nos evangelhos, a fé não é uma elaboração intelectual e ou filosófica.

 

Em Jesus a fé é uma dádiva do Pai aos simples de coração, aos que não se deixaram cegar pelas forças das razões fundadas no poder do homem, no seu entendimento ou nas suas decisões.

 

Para Jesus a fé era para quem queria..., não para quem discutia.

 

Não vemos Jesus jamais tentar provar a fé com argumentos.

 

Ele fazia. Quem cria aproveitava. Quem não cria não tinha ajuda de explicações.

 

Não dá pra criar fé. Dá pra criar crença. Mas fé não é obra do homem, é graça de Deus aceita pelo coração sem resistência.

 

A verdadeira fé, portanto, só se estabelece em mim quando minhas razões cessam de guerrear com a Palavra feita carne em Jesus.

 

Posso não entender mais nada no Universo. Mas creio que Jesus é Deus.

 

Ora, se é assim comigo, na mesma hora o Universo e a existência começam a se fazer mais simples para o meu entendimento, ainda que eu não possa explicar muita coisa.

 

Afinal, quem crê na Ressurreição dos mortos não tem razão para temer mais nada e nem para duvidar de coisa alguma.

 

Assim, a fé não fecha a mente, mas a abre para mais possibilidades inusitadas e impensáveis.

 

Por hoje é só.

 

Outra hora continuo...

 

 

 

Nele, em Quem creio,

 

 

 

Caio Fábio.